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ÚLTIMAS NOTÍCIAS Polícia Civil planeja rondas noturnas na Zona Sul de Niterói

 A zona sul da cidade de Niterói registrou alta de 55,1% de roubos em geral em relação ao mesmo período do ano passado. A 77ªDP, responsável pela região, criou o Núcleo Especial de Combate a Roubos, com seis policiais responsáveis apenas para investigação de crimes dessa natureza. O comércio, por sua vez, também sente o impacto do aumento da violência: desde semana passada, comerciantes do Jardim Icaraí decidiram investir em segurança particular para coibir a atuação dos bandidos, que frequentemente atacam bares, lanchonetes e restaurantes portando armas de guerra, como fuzis. Na área da delegacia, o número de estabelecimentos comerciais roubados subiu de 18 para 39 no período analisado.

A delegada da 77ª DP, Raíssa Chelles, também criou um novo canal com a população: o WhatsApp (96722-8152), para receber denúncias de crimes cometidos na região. Por meio dessas ações, diz ela, a delegacia está mapeando os perímetros mais violentos e dando seguimento às investigações. “Apesar das dificuldades estruturais e de falta de pessoal, estamos nos esforçando ao máximo para oferecer as melhores condições para o policial trabalhar. Atualmente, o principal problema de Icaraí é a escalada no número de roubos a estabelecimentos. Através do núcleo de investigação, já verificamos o modus operandi desses criminosos e esperamos elucidar os casos e, assim, capturá-los o mais rápido possível” afirmou Raíssa. Ela acrescenta que as investigações já ajudaram a identificar três dos cinco ladrões que assaltaram uma joalheria da Rua Moreira César em fevereiro.

Com o objetivo de identificar os assaltantes e desmantelar uma quadrilha organizada que semanalmente vem praticando crimes em diferentes estabelecimentos comerciais da região, a delegacia planeja iniciar uma rotina de rondas noturnas em Icaraí. “Estamos estudando a realização de rondas noturnas periódicas nas áreas onde há maior incidência de roubos ao comércio. Seriam ruas como a Geraldo Martins, a Moreira César e a Presidente Backer, além do Jardim Icaraí. No último dia 13 fizemos uma ação experimental desse tipo e não foi registrado nenhum roubo dessa natureza.” conta a delegada.

O comandante do 12º BPM (Niterói), Márcio Rocha, afirma que, além de determinar a intensificação do patrulhamento na região, 18 novos veículos serão incorporados ao batalhão; metade ainda este mês e metade em maio. “Esta última semana nos chamou muita atenção pelos roubos em série praticados no comércio de Icaraí. Nos próximos dias, vamos nos reunir com lojistas e gestores dos polos gastronômicos de Icaraí, São Francisco e Região Oceânica.” disse Rocha.

Cansados da perigosa rotina de roubos, comerciantes da Rua Geraldo Martins, no Jardim Icaraí, decidiram contratar segurança particular. Desde quinta-feira, diariamente, das 20h às 4h, oito agentes armados com pistolas fazem rondas a pé e de carro no entorno dos restaurantes Berton, Travessa Bistrô, Nolí, Mil Pizzas, São Burger e Espetto Icaraí.

A rotina de assaltos noturnos não se limita à Rua Geraldo Martins. Na Álvares de Azevedo, apenas este mês, o bar Nova Fragatas foi alvo de ladrões três vezes. Em todas as ocasiões, os crimes foram cometidos de forma similar: quatro bandidos armados saíram de um carro e levaram os pertences dos clientes, assim como o dinheiro do caixa. Em um dos dias, dois dos bandidos portavam fuzis.

O gastrobar Nolí, assaltado sábado retrasado e terça-feira passada, passou a fechar as portas mais cedo. No último episódio de violência, cinco homens, um deles com fuzil, roubaram os celulares e as carteiras dos clientes que estavam na área externa do estabelecimento. Sócio do bar, Arthur Pinheiro adiantou que os comerciantes se reunirão com o poder público para cobrar uma solução definitiva para a dramática situação. “Antes, ficávamos abertos diariamente até as 2h. Atualmente, fechamos por volta das 23h.” conta.

Por ora, a solução é a contratação de segurança particular, vista pela professora Jacqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública da UFF, apenas como uma medida paliativa “com um efeito limitado e que maximiza a incerteza”, uma vez que tais agentes não têm autoridade policial. “A segurança privada tem limites no exercício do poder de polícia, só podendo atuar no interior dos estabelecimentos. Nas ruas, eles atuam apenas apoiados no fato de que qualquer cidadão pode deter um crime. Não há regulamentação para que as vigilâncias privadas possam atuar como polícias privadas, portanto é uma medida com baixa normatividade. Sem a regulamentação da polícia privada, funcionando de forma integrada à Polícia do Estado, o risco de aparecimento de novas milícias é grande.” adverte a especialista.

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