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Niterói 4.40 – Ontem, Hoje e Amanhã

Nesta próxima sexta-feira, 22, Niterói completa 440 anos. Da sagrada “Àgua Escondida” a “Cidade Sorriso”, a região caracteriza-se por uma história rica, cheia de peculiaridades e que vamos explorar num especial de três dias, a partir dessa quarta-feira, 20. O que foi, o que é, e que deveremos ser daqui para frente, em uma percepção cronológica, para quem ama e quer conhecer mais do nosso querido cantinho.

Começo – A história de Niterói inicia-se no ano de 1555. Nicolas Durand de Villegagnon, um cavaleiro francês da Ordem de Malta e diplomata que notabilizou-se pela fundação de um estabelecimento colonial na costa do Brasil, ao ser informado da ocupação portuguesa no norte do país, dada pelos índios Tamoios, dominou toda a Baía de Guanabara e instituiu a colônia francesa da França Antártica. A região era muito evitada pelos portugueses por causa da resistência dos nativos locais. Assim, Villegagnon convenceu a Corte Francesa das vantagens de manter uma colônia permanente no local, de onde a França poderia tentar o controle de comércio com as Índias.

A região foi muito bem desenvolvida por Villegagnon, que projetava a cidade de Henriville, em homenagem ao então Rei da França. O comércio com as Índias dava-se de maneira regular e próspera, tornando a Coroa Francesa bem confiante na colônia brasileira. No entanto, Villegagnon recorreu mais uma vez ao Rei e pediu um reforço de 4.000 homens e centenas de mulheres para os franceses se casarem. O soberano decidiu, então, enviar a Henriville um grupo grande de calvinistas, aproveitando para amenizar os conflitos religiosos que aconteciam na França.

Passado algum tempo, os calvinistas regressaram à França e Villegagnon pôde contar com apenas 80 homens. Diante das acusações de preconceito e má administração, o navegador Francês teve de voltar à França para explicar-se, deixando, em seu lugar, Bois-le-Compte, seu sobrinho.

Aproveitando-se da ausência de Villegagnon, Mem de Sá, governador-geral do Brasil, resolveu invadir a Guanabara e tomar posse da região, em 1560. Com uma expulsão quase que total dos franceses de Henriville, o interior da atual Niterói foi ocupado rapidamente pelos fugitivos. Assim, Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, que continuara com o comando da guerra, recorreu à ajuda do cacique de uma tribo tupi, Arariboia, havia sido expulso pelos franceses de sua terra natal, a ilha de Paranapuã (hoje Ilha do Gorvenador), o que o fez aceitar o pedido do governador, com a esperança de reconquistar a ilha-mãe. Na época, Arariboia estava com sua tribo na Capitania do Espírito Santos, onde expulsou holandeses.

Arariboia – Como toda história que se preza, a de Niterói também tem seu grande herói. Arariboia (Cobra Feroz ou Cobra da Tempestade), atravessou as águas da Baía a nado para liderar o assalto ao Forte Coligny, onde os franceses estavam aquartelados. Escalando penhascos, ele foi o primeiro a entrar no forte inimigo. Empunhava uma tocha, com a qual explodiu o paiol de pólvora e abriu caminho para o ataque. Após esse ataque os portugueses recuperaram o controle do Rio de Janeiro.

Como recompensa, Mem de Sá mandou Arariboia escolher qualquer terra, menos a ilha onde ele vivia, pois o governador tinha se apossado do lugar, tanto, que depois virou “Ilha do Governo”. Arariboia ficou então com as terras conhecidas como Band’Além, primeiro nome dado a Niterói.

Em “Band’Além” Arariboia levou sua tribo, para a vila de “São Lourenço do Índios”. O Dicionário Aurélio relata que a região onde foi fundada a cidade era habitada, na época, pelos índios cariis. Como monumento de fundação, foi construída a Igreja de São Lourenço dos Índios, até hoje considerada como marco histórico da cidade.

Nome – O nome Niterói deriva do tupi-guarani “Nheteroia”, que significa “água escondida”. Tido esse um dos principais motivos pela escolha de Aririboia. Durante os séculos, de 1.600 até 1.800, Niterói se manteve numa grande linha de estabilidade. Sob o nome de Vila Real da Praia Grande, ela esteve centralizada no atual centro, abrangendo uma área que hoje corresponde ao Centro, o Bairro de Fátima, o bairro de São Lourenço e Gragoatá.

As atividades navais eram responsáveis pelo progresso da aldeia, que com advento do comércio de peixes, de construções de armações, esquartejamento e industrialização de baleias adquiriu importância até tornar-se Vila Real da Praia Grande, em 1819, quando foi reconhecida pelo Reino de Portugal, agora com capital no Rio de Janeiro.

A primeira eleição de vereadores e juiz de paz aconteceu em 11 de janeiro de 1829. Com base na então nova Lei Orgânica, a Câmara foi constituida por sete vereadores, tendo como presidente Marcolino Antonio Leite.

Com a divisão do Estado em dois, em 1834, o Estado do Rio de Janeiro (ocupando o lado leste da Guanabara) e o Distrito Federal, que era a cidade do Rio de Janeiro, a sede do Império Brasileiro, foi determinado, através de um Ato Adicional, a nomeação de Niterói como capital da província. No ano seguinte, a vila Real da Praia Grande passou a se chamar Nictcheroy.

Em 1843, o imperador Dom Pedro I concedeu a cidade o titulo de Imperial Cidade, nomeação dada em alguns centros urbanos do Brasil no período Imperial, onde as cidades mais importantes recebiam tal status, conferindo-lhes certa autonomia e poder regional.