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A novela da Lagoa de Piratininga

2019 e a situação da Lagoa de Piratininga ainda é caótica. Apesar da prefeitura afirmar que já recolheu mais de seis toneladas de animais mortos após a mortandade de peixes, na altura do Tibau, o cenário é desolador: os bichos se decompõem em meio ao lodo e ao esgoto levado pelo último temporal. O cheiro forte, de uma espécie de gás, que é inalado por quem chega perto faz arder os olhos. Moradores contam que episódios como esse viraram rotina e revelam o descaso com que o sistema lagunar vem sendo tratado ao longo dos anos, embora várias obras tenham consumidos pelo menos R$ 20 milhões dos cofres públicos.

Segundo o Inea, a mortandade de peixes ocorreu pela ausência de oxigênio na água, provocada pela grande volume de esgoto que chegou até a lagoa, levado pela chuva.

Moradores afirmam que cerca de dez garis da Clin foram ao local no dia seguinte à mortandade e, em um trabalho braçal e feito de forma precária, não removeram nem 1% da quantidade de peixes mortos.

MONITORAMENTO

A Lagoa de Piratininga tem como principais afluentes os rios Jacaré, de maior vazão, e o Cafubá, de onde partiu a maior quantidade de rejeitos no último temporal. A prefeitura, que assumiu a gestão do sistema lagunar da Região Oceânica de forma compartilhada em 2016, diz que os estudos para monitoramento do ecossistema estão em andamento e dentro do cronograma, com previsão de conclusão para novembro. “Estão sendo realizadas campanhas de monitoramento da qualidade da água e biota e, em seguida, serão feitas simulações com modelagens matemáticas para verificar quais as melhores alternativas para recuperação da dinâmica hídrica e qualidade ambiental do sistema, considerando o cenário atual”, informa em nota.

Ainda segundo a prefeitura, o monitoramento do sistema lagunar Piratininga-Itaipu vai subsidiar o futuro Plano de Gestão Ambiental, que orientará os procedimentos e prioridades de intervenção para a despoluição e recuperação ambiental das duas lagoas. Essas ações ainda não têm previsão para serem executadas.

Um estudo feito pelo Subcomitê do Sistema Lagunar de Itaipu/Piratininga (Clip), apresentado em 2016, apontou que, desde 1979, foram gastos cerca de R$ 20 milhões em obras malsucedidas que não reverteram a degradação, como a abertura, em 2008, do túnel do Tibau (R$ 11 milhões) e o início do desassoreamento dos canais do Tibau e Camboatá, todas executadas pelo estado.

REDUÇÃO DE REJEITOS

Segundo a prefeitura, o despejo irregular de esgoto é combatido, em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), através do projeto Se Liga, que faz a fiscalização das casas que não estão ligadas à rede da Águas de Niterói. De acordo com a prefeitura, os bairros adjacentes às duas lagoas estão passando por obras de drenagem e pavimentação, o que também contribui para a redução de rejeitos. Em outra frente de trabalho, está desenvolvendo o projeto de renaturalização do Rio Jacaré.

O Inea diz que, desde 2013, o projeto Se Liga já viabilizou, na cidade, a conexão de 1.424 imóveis à rede de esgoto, reduzindo em 555.360 litros/dia a quantidade de rejeitos despejados irregularmente na cidade. A Águas de Niterói faz o levantamento dos imóveis irregulares e repassa ao Instituto que, posteriormente, notifica os proprietários a se adequarem em até 60 dias.