Categorias
NOVIDADES

Zico, 60 Anos

zico35825_nPor Jota Carino

ZICO, 60 ANOS

Franzino, mas determinado, o menino sai do amado subúrbio e vai. Corre em busca do sonho, estranho e recorrente sonho, onde há gritos, aplausos, vibração de milhões de pessoas. Enquanto chuta a esmo o que vê pelas ruas de terra – pedras, latinhas e tampas de garrafa, montes de folhas caídas das árvores amigas – sua cabeça engendra jogadas geniais, passes perfeitos e gols de placa.

Sonha o menino em ser um craque, mas não perde de vista a realidade da pobreza digna e o cumprimento das obrigações cotidianas. E, a cada dia, vão se fortalecendo os dois: seu corpo e seu caráter. O corpo se forja nos treinos, nos embates contra os adversários, nos entrechoques contra adversários, nas jogadas tantas vezes repetidas até alcançar a perfeição. O caráter constrói-se no exercício da lealdade, no cumprimento da palavra empenhada, nas ações como homem, filho, depois pai e avô – e no amor à sua profissão e ao amado Flamengo.

Passam-se os anos. A glória vem. Aquele menino sonhador transformou-se em sucesso, exemplo e ídolo. Os ruídos do sonho são agora bem reais, na Gávea, no Maracanã, em todos os campos do mundo onde joga. Porém, a alma de menino de Quintino permanece viva. Sucesso, dinheiro, fama, nada disso o faz esquecer as origens humildes, os pais amantíssimos, os irmãos queridos. Hoje, passados 60 anos, aquele menino suburbano, Arthur Antunes Coimbra, transformou-se em lenda, mas continua acessível, sério, trabalhador, bom caráter, atencioso e amigo – quase uma unanimidade, mesmo entre os que torcem por outros times mas amam a arte do futebol, seja com que camisa for praticada.

Depois de seis décadas, o antigo menino ainda namora a bola, ama-a e lhe faz carinho como poucos. E há poucos namoros tão correspondidos como esse…

Do subúrbio à Gávea, de Quintino ao Japão, são 60 anos de genialidade, com ou sem a bola, em que a vaidade jamais venceu a modéstia, em que a retidão e o amor ao esporte sempre prevaleceram sobre a ambição.

Vai, Zico! Vai Galinho de Quintino! Que você continue a correr e driblar nos campos de sonho da vida, alcançando vitórias, dando alegrias, recebendo justas homenagens. O Flamengo, o Brasil e o mundo agradecem e cantam, juntos, como uma grande torcida, “parabéns pra você”.