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ÚLTIMAS NOTÍCIAS Números da violência que assustam

Antes restritos a territórios dominados pelo tráfico, fuzis passaram a ser usados com frequência em assaltos em ruas movimentadas de Niterói, muitas vezes, à luz do dia. Os vídeos que escancaram a ação dos bandidos, compartilhados massivamente por moradores na internet, só corroboram o que dados apontam: de janeiro a junho, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), foram 15 fuzis apreendidos. Somando-se os sete recolhidos em ação no início deste mês, no Barreto, são, pelos menos, 22. Em todo o ano de 2016, foram 20. A utilização desse armamento pesado nas ruas tem uma explicação: traficantes, também afetados pela crise, que freia a venda de drogas, estão se associando a assaltantes. Eles emprestam suas armas para pequenos crimes e, em troca, ficam com parte do que é roubado, numa espécie de arrendamento.

Um tipo de reconfiguração do que se chama de crime organizado. Antes, os traficantes não tinham relação com os assaltantes, nem queriam a atuação deles em seu território. Agora, eles não só estão tolerando, como, em alguns casos, praticando assaltos e, em outros, se associando aos assaltantes.

O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Márcio Rocha, não descarta a possibilidade. “Acredito que ela esteja ocorrendo, por conta da mudança na atuação de traficantes.”

A briga por novos territórios em Niterói também tem feito fuzis circularem mais nas ruas. Dois dos três grupos que brigavam por áreas em Niterói se juntaram e passaram a disputá-las com a quadrilha que sobrou, que é a mais bem armada do estado e comanda as principais favelas de Niterói.

A facção recém-criada detém o controle das favelas Coronel Leôncio, Coreia, Santo Cristo, Boa Vista e Palmeira e dos morros do Estado e do Sabão, formando um cinturão que inclui parte da Zona Norte e do Centro. A quadrilha rival domina as maiores favelas da Zona Norte (Vila Ipiranga, Caramujo, Nova Brasília e Morro dos Marítimos) e da Zona Sul (Morro do Palácio, Morro do Cavalão, Grota, Preventório e Vital Brazil), além de Ititioca e Viradouro.

Infelizmente, a guerra entre elas tem causado as cenas de violência que os niteroienses estão se habituando a ver. No último dia 4, policiais do 12º BPM apreenderam 12 armas — entre elas, sete fuzis, uma espingarda e quatro pistolas — e 1.400 munições dentro de um táxi estacionado numa vaga de condomínio na Rua Doutor Luiz Palmier, no Barreto. O arsenal tinha inscrições de uma facção que domina o Morro do Sabão e seria usado para promover uma invasão ao Morro dos Marítimos.

Acredita-se que a facção que domina as maiores comunidades da Zona Norte e da Zona Sul está, há dois meses, devendo pagamento a seus “soldados”. Sem dinheiro para pagá-los, os donos do tráfico estão permitindo que os “soldados” cometam assaltos até mesmo no entorno da comunidade, o que antes era proibido. Por isso, há tantos assaltos. E com uso de fuzis, que são armas que eles estão acostumados a usar e têm um poder intimidador muito maior sobre as vítimas.

Se nos crimes de rua os fuzis são novidade, dentro das comunidades de Niterói eles passaram a ser mais comuns desde 2010, quando a polícia executou o ponto alto da política de pacificação das UPPs, com a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio. Naquele ano, foram apreendidos 18 fuzis, média que se manteve até o ano passado. Antes disso, entre 2007 — quando o Instituto de Segurança Pública (ISP) passou a fazer o levantamento de dados do setor — e 2009, apenas três fuzis eram apreendidos por ano em Niterói.

 

Foto: O Globo