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ÚLTIMAS NOTÍCIAS Aplicativo mostra Santa Rosa como recordista em trocas de tiros em Niterói

Santa Rosa é o bairro de Niterói com a maior probabilidade de uma vítima ser atingida por bala perdida. Levantamento baseado em dados da plataforma digital Fogo Cruzado mostra que das 191 trocas de tiros registradas de janeiro a 15 de maio no aplicativo, 35 ocorreram no bairro. Na semana passada, um passageiro de ônibus acabou atingido por um tiro de raspão na Rua Doutor Sardinha, após confronto entre policiais do 12º BPM (Niterói) e criminosos que assaltavam pedestres no bairro. Os dados, extraoficiais, põem a cidade como a quarta mais violenta da Região Metropolitana do Rio, atrás da capital, de Belford Roxo e de São Gonçalo e empatada com Nova Iguaçu.

Dos episódios registrados em Santa Rosa, 26 ocorreram no Complexo do Viradouro. Se os enfrentamentos nos morros costumam estar relacionados ao domínio territorial do tráfico de drogas, no asfalto são os roubos que impulsionam a quantidade de confrontos e provocam pânico em ruas do bairro. Ocorrências como a de domingo são registradas diariamente pelos usuários da plataforma. Barreto (26), Engenhoca (25), Icaraí (18) e Fonseca (16) completam o ranking dos cinco primeiros bairros onde mais houve troca de tiros na cidade. Do total de confrontos, segundo o Fogo Cruzado, apenas 22 contaram com a participação de agentes das forças de segurança. Os combates deixaram 22 mortos e 15 feridos.

Subcomandante do 12º BPM, que abrange Niterói e Maricá, o tenente-coronel Fábio Marçal mostrou espanto com os dados levantados pelo aplicativo e questionou a metodologia empregada. Para ele, o número é excessivo e não corresponde à realidade nem ao perfil dos crimes ocorridos em alguns dos bairros que se destacam no ranking. Ele afirma que o batalhão é muito demandado a cada disparo que ocorre na cidade. E que não houve 191 confrontos em Niterói em menos de cinco meses.  “Os números de Santa Rosa nos surpreendem porque não são frequentes os confrontos com forças policiais ali. Além disso, Niterói não vive um momento de enfrentamento de facções rivais de tráfico de drogas que possa justificar os dados.” conta Marçal.

Ele questiona a metodologia empregada e diz que frequentemente tem ue ocupar várias comunidades numa só ação, até mesmo para garantir a integridade dos policiais. “Não posso fazer uma operação no Viradouro sem ocupar, por exemplo, o Morro da Santa, a Igrejinha, a Grota, Vital Brazil, Souza Soares e o Morro da União. Assim, podemos ter vários confrontos ao mesmo tempo, ouvidos em bairros diferentes. A mesma coisa acontece no Caramujo. É preciso saber como esses dados são mensurados.”

Analista de dados do Fogo Cruzado, Paula Napolião explica que o Fogo Cruzado verifica as notificações recebidas, de forma colaborativa, junto à Polícia Militar e aos veículos de imprensa. Além disso, reforça ela, a ferramenta conta com filtros para evitar registros duplicados da mesma ocorrência. “Se formos notificados de tiros no mesmo local ou em locais muitos próximos em intervalos de tempo semelhantes, registramos como um único evento. Mas uma operação pode sim ter mais de um registro de trocas de tiros, porque as comunidades têm pontos diferentes. E obviamente isso se repete nos complexos. Mas não há dados repetidos, isso é, do mesmo evento, em nossa plataforma.” assegura a analista.

Ela avalia, porém, que números finais podem ser influenciados pelo engajamento entre os internautas de cada bairro, mas ressalta que não é possível garantir isso. “Sabemos que informações de criminalidade são dados sensíveis. Por isso, pedimos o mínimo possível de informações que possam identificar os usuários. Assim, é possível especular que os moradores de Santa Rosa sejam mais participativos na plataforma que os da Zona Norte, por exemplo, mas não temos elementos que possam aferir se isso é verdadeiro ou falso. Para não expor os usuários, preferimos nem ter essas informações.”

Responsável por computar e dar publicidade às estatísticas de criminalidade no estado, o Instituto de Segurança Pública (ISP) não compila dados sobre trocas de tiros ou de vítimas de balas perdidas.