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A Garota do Biquíni Vermelho

Garota do Biquini Vermelho
Local: Teatro AMF
Endereço: Av. Governador Roberto Silveira, 123 –  Icaraí
Telefone: 21 – 2710 1348
Datas: 3 e 4 de novembro.

Para reverenciar a memória da atriz Sonia Mamed, falecida há 22 anos, volta aos palcos brasileiros o espetáculo teatral A Garota do Biquíni Vermelho através do patrocínio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura. A peça conta com texto de Artur Xexéo, direção de Jacqueline Laurence, e elenco composto por Monique Alfradique, a protagonista; Karin Roepke, Marcelo Varzea, Nedira Campos, Roger Gobeth e Tati Pasquali.

Após uma bem sucedida temporada em 2010, a comédia musical “A Garota Biquíni Vermelho” traz novamente – agora num projeto de circulação – o texto do jornalista Artur Xexéo, que assinou pela primeira vez a dramaturgia de um espetáculo teatral na temporada de estreia da peça. A direção do espetáculo é de Jacqueline Laurence.

O projeto foi idealizado pelo produtor Eduardo Barata, a fim de resgatar a memória da cultura nacional ao celebrar vida e obra da ex-vedete do Teatro de Revista, da estrela dos filmes da Atlântida e das participações memoráveis nos humorísticos da televisão brasileira. “A Garota do Biquíni Vermelho” faz parte do projeto “Trilogia do Riso” – complementado pelas peças “A Vingança do Espelho: A História de Zezé Macedo”, sucesso de público e crítica durante a temporada no Rio de Janeiro e “Consuelo Leandro”, que será dirigida por Ernesto Piccolo. Todas contam a trajetória pessoal e profissional de grandes damas das comédias e das chanchadas.

O texto de Artur Xexéo foca o período do Teatro de Revista e as chanchadas da Atlântida. “Levei um ano para escrever da primeira cena à última linha porque interrompi muito a escrita para aprofundar o trabalho de pesquisa. Apesar de a pesquisa ter sido feita pelo jornalista Daniel Schenker, fiz algumas entrevistas, assisti a filmes e fui atrás de material que pudesse ter na imprensa. Depois, o trabalho de escrever foi mais constante”, diz Xexéo.

Daniel Schenker nos revela também o caráter de Sonia Mamed, sempre solidária e múltipla, adotando crianças que encontrava pela rua, dando-lhes escola, comida, colo. “A carreira dela começou por acaso, levada pela amiga Anilza Leoni, que já era girl em alguns musicais e a chamou para assistir um ensaio no Teatro Follies”, diz o pesquisador.

Se o começo de sua trajetória artística foi acidental, o que se viu depois foi uma sucessão de acontecimentos que a tornaram uma das atrizes preferidas do genial diretor de cinema e televisão Carlos Manga. Sonia estrelou filmes como Garotas e Samba (1957), De Vento em Popa (1957), É Um Maior (1958), Esse Milhão é Meu (1959), Pintando o Sete (1959), O Cupim (1960), Cacareco Vem Aí (1960), Assim Era a Atlântida (1975), entre outros. Na televisão, celebrizou-se no papel de Ofélia, ao lado de Lúcio Mauro, o Fernandinho, no programa Balança, Mas Não Cai. Ainda na TV Globo, participou de Planeta dos Homens, Satiricom e Chico City, onde viveu outra personagem popular: Terta, mulher de Pantaleão (Chico Anysio).

Em 1981, pelas mãos de Silvio de Abreu – que a dirigiu em Elas São do Baralho e A Árvore dos Sexos, ambos de 1977, Sonia Mamede volta à TV na novela Jogo da Vida. Na extinta TV Rio, trabalhou nos programas Noites Cariocas e Praça Onze. Em 1978, com a Revista do Henfil, no papel da “Graúna”, Sonia Mamed, enfim, é reconhecida e recebe o prêmio Mambembe de melhor atriz. Ela foi a única ex-vedete a receber tal prêmio.

Em seu primeiro trabalho como autor teatral, Xexéo não fez por menos: compôs três músicas – letra e melodia – para o espetáculo. As canções são Prólogo da Garota do Biquíni Vermelho, A Vedete e a Mãe da Vedete e Ela é uma Star. “Como o espetáculo tem muitas canções do repertório de Sonia Mamede, coisas que ela cantou no teatro e no cinema, eu queria que tivesse, pelo menos, uma canção inédita”, conta Xexéo.

Para Eduardo Barata, o grande mote deste projeto é a preservação da memória do teatro e do cinema nacionais, já que o espetáculo pretende perpetuar a imagem e contar a trajetória pessoal e profissional de Sonia Mamed. “Há mais de quatro anos andei pesquisando na Biblioteca Nacional sobre a fase áurea do teatro brasileiro e não encontrei registros significativos. Incrível é que, apesar de o teatro ser um matriarcado (é só ver as grandes damas de ontem e de hoje, como Dulcina, Henriette Mourineau, Tônia Carrero, Fernanda Montenegro, Marília Pêra e tantas outras divas), quando se trata de mulheres humoristas, comediantes, não se encontram referências bibliográficas simplesmente porque o humor era considerado gênero menor”, ressalta o produtor Eduardo Barata.

Para Schenker, Sonia Mamed pertence à classe das comediantes com estilo próprio, e com a morte de cada uma delas também vai embora esse estilo. Daí a importância de se fazer espetáculos como A Garota do Biquíni Vermelho, onde é possível colocar tudo em seu devido lugar. “Há muito tempo estamos vivendo no Rio de Janeiro uma época de resgate, de justo resgate, de artistas da música popular brasileira, como Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Linda e Dircinha Batista, Elis Regina, Clara Nunes. Há muito tempo também que se faz espetáculo em cima de cantores e cantoras, mas não de atores e atrizes. Isso que o Eduardo Barata idealizou é algo inédito”, ressalta Schenker, “Só há uma explicação: o Brasil é mesmo um país sem memória!”, completa Xexéo.

Gabriella, filha de Sonia Mamed com Augusto Cesar Vannucci, tinha 30 anos e acabava de dar à luz a Lucas quando Sonia faleceu. Ela vai falando sem parar das lembranças da mãe, como se tivesse medo que o tempo apagasse a memória. “No primeiro contato do Eduardo Barata não acreditei na continuidade do projeto com a minha mãe, mas fiquei muito feliz e ansiosa, aguardando novo contato. Acho que a ficha ainda não caiu, afinal, vivemos em um mundo de memória curta não? Mas a minha memória de Sonia Mamed é de uma mulher lindíssima, forte, amiga, carinhosa, mãezona, sempre alegre, humilde, simples, emotiva como convém a uma canceriana, só não era muito boa na cozinha, mas sempre estava por ali. Estive junto dela sempre, fosse escondida nas coxias ou dormindo no colo de alguma corista ou fugindo do juizado de menor. O único preconceito que senti na vida foi no colégio de freiras, mas era por ser filha de divorciada e não por ser filha de vedete. O que mais sofri – e ainda sofro – é inveja por ser filha de quem sou. A ficha não caiu, mas tenho ciência do crédito, empenho, estudo, envolvimento de cada um – tudo isso, com certeza, com o aval da ‘Bela Mamed’. Só tenho a agradecer e aproveitar a emoção deste sublime reencontro”, diz Gabriella.

 

 

Ficha Técnica:


Texto: Artur Xexéo

Direção: Jacqueline Laurence

Idealização: Eduardo Barata

Pesquisa: Daniel Schenker

Elenco: Monique Alfradique, Karin Roepke, Marcelo Varzea, Nedira Campos, Roger Gobeth e Tati Pasquali

Cenário: Marcelo Marques

Figurino: Kalma Murtinho

Iluminação: Paulo Denizot

Direção Musical: Amora Pêra e Paula Leal

Produção e Assessoria de Imprensa: Barata Comunicação