Cidade
Plano Diretor de Niterói criará fundo para infraestrutura

Parque da Cidade – foto de Vitor Marigo
Reserva será abastecida com a cobrança de outorga onerosa em toda a cidade
O projeto de lei para instituir o novo Plano Diretor da cidade, será enviado está semana à Câmara de Vereadores. O plano atual foi elaborado em 1992 e recebeu sua última atualização em 2004. A previsão da prefeitura é de que o projeto seja votado até o fim do primeiro semestre do ano que vem. O documento, de mais de 150 páginas e 300 artigos, tem entre seus destaques o estímulo à moradia no Centro. O prefeito Rodrigo Neves (PV) afirma que a intenção é garantir a requalificação da região. Entre as medidas para colocar em prática o plano está a instituição de um Fundo de Desenvolvimento Urbano, que será alimentado com recursos de outorgas onerosas pagas pelas construtoras por empreendimentos erguidos em qualquer parte da cidade — hoje, o instrumento também conhecido como solo criado, que estabelece uma taxa a ser paga para construções fora dos padrões urbanísticos preestabelecidos, só pode ser usado em Pendotiba e no Centro. Os recursos do fundo, garante o prefeito, serão aplicados exclusivamente em habitações de interesse social, infraestrutura e mobilidade.
Neves diz que não há estimativa de quanto o fundo arrecadará, já que dependerá do interesse do mercado imobiliário. Na prática, o que o Plano Diretor prevê é a aplicação em toda Niterói do modelo de outorga onerosa utilizado no Plano Urbanístico Regional (PUR) de Pendotiba. Aprovado ano passado, ele estabelece uma taxa — entre R$ 160 e R$ 320 por metro quadrado, dependendo do tamanho do terreno — para os imóveis que excederem sua área de construção.
O subsecretário municipal de Urbanisco e Mobilidade Urbana, Renato Barandire, afimar que isso acaba com o discurso de especulação imobiliária.Ou seja, qualquer lei que vier a partir do Plano Diretor propondo mudança no gabarito será afetada. Tudo que for construído adicionalmente terá que pagar outorga onerosa.
Uma vez aprovado o Plano Diretor, começam a ser atualizados os PURs, que definem os gabaritos, e outros planos acessórios, como o de saneamento. De acordo com Barandier, serão revistos os planos urbanísticos da Região Norte, da Região Oceânica e das praias da Baía de Guanabara. A Região Leste, que não tem PUR, ganhará um. O subsecretário não dá prazos para a conclusão dos PURs.
Os valores da outorga onerosa serão menores para a construção de hospitais, escolas e habitações de interesse social. Atualmente, o Centro de Niterói já conta com um plano de outorga onerosa, por meio Operação Urbana Consorciada (OUC). Aprovada em agosto, ela permite construir até 40 andares no Centro com o pagamento de taxas. O Plano Diretor prevê que o número de moradores cresça com o investimento de recursos na requalificação do bairro.
Se por um lado a intenção é fazer mais pessoas morarem no Centro, por outro é gerar mais empregos nas “centralidades locais”, regiões que já têm comércio de pequena ou média complexidade, que aliviam a necessidade da população local de se deslocar ao Centro. Barandier explica que a regra geral do plano é adensar a população em áreas com infraestrutura. Dando como exemplo a Praça da Engenhoca. Que é uma concentração pequena de comércio, mas para quem é do entorno, ela é importante. O local tem que ser preservado. Em uma hipotética revisão do PUR da Região Norte que preveja um adensamento ali, isto deverá ser levado em conta.
A secretária municipal de Urbanismo, Verena Andreatta, afirma que a intenção é rever a política de segregação de regiões da cidade em áreas de comércio, indústria e habitação. Para isso, haveria um estímulo ao uso misto do solo, como prédios residenciais com comércio no térreo. A aplicação, porém, dependerá ainda do PUR de cada região.
