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Seminário internacional discute projeto de renaturalização da Bacia do Rio Jacaré em Niterói

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renaturalizacaoUm rio que foi canalizado e descaracterizado em função do crescimento urbano desordenado de uma região pode voltar à sua forma original, com a recuperação ambiental do seu leito e do entorno? A Prefeitura de Niterói vai mostrar que é possível a partir da renaturalização da Bacia do Rio Jacaré, na Região Oceânica. Por ser uma experiência inédita em um rio urbano, o trabalho terá a consultoria de especialistas dos Estados Unidos, de Portugal e Espanha. Na última segunda-feira (07/03), o vice-prefeito, Axel Grael, foi o anfitrião dos pesquisadores estrangeiros, que percorreram todo o leito do rio, em área que integra o Parque Estadual da Serra da Tiririca, até sua foz, na Lagoa de Piratininga, para conhecerem de perto a situação da bacia hidrográfica.

Margaret Palmer e Solange Filoso, da Universidade de Maryland (EUA), e Pedro Teiga, de Portugal, estão na cidade para participar do 1º Seminário sobre Práticas de Renaturalização Fluvial. No evento, que começa nesta terça-feira, os cientistas apresentarão experiências bem-sucedidas de renaturalização, restauração e reabilitação de rios em seus países e terão acesso aos diagnósticos realizados pela equipe de professores do Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), que são parceiros no projeto. O espanhol Fernando Magdaleno também participará do seminário por videoconferência.

Axel Grael destacou que a vinda dos consultores internacionais a Niterói mostra que o projeto é  viável.

“Neste encontro internacional, estamos compartilhando conhecimento, ideias e conceitos com os especialistas. A nossa percepção de que renaturalizar o Rio Jacaré é possível foi compartilhada por todos.  Os cientistas citaram exemplos de outros rios em que trabalharam que tinham a complexidade do Rio Jacaré. Então a nossa iniciativa confirma-se como factível, sabemos que é possível fazer e temos a oportunidade de fazer porque nós captamos recursos para isso”, afirmou Grael.

O vice-prefeito também ressaltou o papel da UFF como parceira do projeto.

“Niterói dará uma contribuição que vai além dos limites da própria cidade, porque vai ser a primeira vez no país que teremos a experiência de renaturalização de um  rio urbano. Daí a importância de estarmos fazendo isso com a universidade,  que tem a vocação de produzir a partir dessa experiência conhecimento suficiente para levar para outras cidades. Estamos olhando para essa oportunidade com muita ambição, a gente quer que isso se transforme num exemplo para o país, mostrando que,  mais do que fazer saneamento, é necessário e é possível recuperar um ecossistema fluvial como vai ser feito no Rio Jacaré”, explicou.

A experiência de renaturalizar um rio, segundo o vice-prefeito, precisa ser acompanhada de ações para melhorar a vida das pessoas.

“É muito comum encontrar comunidades muito carentes e rios muito degradados. Melhorar o rio faz parte de melhorar a vida das pessoas. Não adianta investir na comunidade e continuar convivendo com um rio degradado. Acho que nós temos no Rio Jacaré um microcosmo muito interessante, para que a gente possa ter um outro olhar do rio como um elemento vivo e fundamental para a cidade”, finalizou Grael.

O engenheiro e membro do Centro Ibérico de Restauração Fluvial, Pedro Teiga também destacou essa visão de que é possível restaurar um rio e envolver as pessoas neste processo.

“Todo este trabalho está sendo feito de forma exemplar, em termos acadêmicos e de planejamento. Gostei muito de poder fazer o percurso, é muito bom conhecer o local de perto e ver seus problemas, poder constatar as realidades. Há ainda grandes valores ecológicos na bacia do Rio Jacaré,  áreas conservadas que precisam ser mantidas. Quanto à parte mais urbana, apresenta problemas que existem em outras cidades de Portugal e da Europa. Esses problemas não são  novos no mundo.  Mas Niterói está sendo pioneira do ponto de vista de que o projeto vai começar pela prefeitura, que precisa envolver a população para criar a mudança. As prefeituras de vanguarda é que fazem esse tipo de trabalho. Quando a cidade  assume que isso também é problema seu, as pessoas contribuem para resolver. Se a cidade tem rios limpos, significa que as pessoas que vivem em seu entorno têm boa qualidade de vida”, afirmou Teiga.

Margaret Palmer, uma das maiores especialistas do mundo em ecologia de restauração e de sistemas fluviais, afirmou, depois de percorrer o percurso, que a bacia do Rio Jacaré é perfeita para fazer uma restauração porque ainda está protegida.

“A restauração é possível, porque há ainda áreas  bem preservadas. Apenas será necessária uma adaptação de acordo com o perfil de seu entorno. Destaco ainda o envolvimento de cientistas e professores da universidade desde o começo do projeto. Isso vai ajudar muito para que a iniciativa tenha sucesso e poderá ser um modelo para o mundo”, destacou a especialista.

A professora Solange Filoso é brasileira, mas vive nos Estados Unidos, onde tem vasta experiência em renaturalização de rios urbanos. Ela ressaltou que há rios em cidades norte-americanas com características muito parecidas com as da bacia do Jacaré.

“Participar desse projeto é importante para mim porque, como brasileira, estarei contribuindo com a produção do conhecimento que será aplicado numa cidade brasileira. A bacia do Jacaré tem todas as condições para ser renaturalizada, principalmente porque o poder público está trabalhando junto com os cientistas da universidade. Essa parceria é muito importante para que Niterói se transforme em exemplo para outras cidades do mundo com este projeto. No exterior é muito difícil vermos governos trabalhar em parceria com universidades. Por isso, esse projeto tem tudo para ser bem-sucedido”, disse Solange.

 

Processo de renaturalização

Renaturalizar um rio é recuperar os indicadores ecológicos da bacia hidrográfica, o equilíbrio entre flora, fauna e recursos hídricos, integrados com o uso humano sustentável. É ressuscitar o rio, inseri-lo novamente no ambiente do entorno.

O projeto niteroiense consistirá na reconstituição do leito maior, remoção de edificações, eliminação dos focos de poluição e reflorestamento das áreas de preservação permanente. O Rio Jacaré nasce na Serra do Malheiro, com extensão aproximada de 6 quilômetros e área de 5,7km2, e deságua na Lagoa de Piratininga. A bacia está inserida na Reserva Ecológica Darcy Ribeiro (que integra o Parque Estadual da Serra da Tiririca) no alto e médio curso.

A renaturalização do Jacaré integra o programa Região Oceânica Sustentável (Pró-Sustentável), que será executado com financiamento da R$ 100 milhões da Cooperação Andina de Fomento (CAF). A liberação dos recursos está em fase de finalização.

As palestras e oficinas do seminário, que será realizado no auditório do Instituto de Geociências da UFF e que também contará com a presença de moradores que vivem no entorno do rio, vão subsidiar a elaboração do plano estratégico para o projeto de renaturalização do Jacaré.

O Instituto de Geociências fica no Campus da Praia Vermelha (Avenida General Milton Tavares de Souza, s/n).


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