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Ritmo lento nas obras do Morro da Boa Esperança

Prestes a completar três meses do deslizamento do Morro da Boa Esperança, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, no próximo dia 10, as obras que a Prefeitura de Niterói está fazendo para retirada do maciço e contenção da encosta desaceleraram. Moradores da comunidade e profissionais que trabalham desde o ano passado no grande terreno chegaram a falar em paralisação das obras. A prefeitura, no entanto, nega a interrupção da obra e afirma que, “por questões de logística da empresa, está sendo reduzida a área de apoio uma vez que o momento atual da obra não necessita mais de toda estrutura que havia sido montada”.

A Associação de Moradores do Morro da Boa Esperança ressaltou que irá procurar responsáveis na administração municipal para saber o que motivou a suposta pausa. No local, contêineres foram retirados, assim como os banheiros dos trabalhadores e as ferramentas.

Segundo um funcionário que não quis se identificar, pá, enxada, marreta e outros equipamentos foram levados na manhã desta segunda-feira (04). “A informação que tive é que ainda vamos ficar trabalhando quinze dias fazendo limpeza do barro. Mas essa comunidade não precisa de limpeza e sim de obras de contenção, pois muita terra ainda pode descer, ainda mais com a possibilidade de temporais por conta do calor”, contou.

O jardineiro Paulo Roberto Borges Querino, de 25 anos, explicou que teve sua casa interditada e tem medo do futuro. “Não sei como será daqui para frente. Essa obra sendo interrompida vai deixar a comunidade vulnerável. Já não basta o que aconteceu?”, indagou.

Outra questão em análise pela Associação de Moradores do Morro da Boa Esperança é a entrega dos apartamentos, prometida para as vítimas da tragédia, o que não aconteceu na semana passada com a inauguração do empreendimento Vivendas do Fonseca, na Zona Norte da cidade. Apenas os afetados pelo deslizamento do Morro do Bumba, em 2010, foram beneficiados com as novas unidades habitacionais. As 22 famílias desalojadas no Morro da Boa Esperança continuam aguardando por moradia.

Na semana passada, a Prefeitura de Niterói limitou-se a dizer que o Ministério do Desenvolvimento Regional informou a impossibilidade de aceitar o pedido da Prefeitura para que moradores atingidos pelo rompimento do maciço do Boa Esperança fossem beneficiados com unidades deste empreendimento, uma vez que seria voltado para vítimas das chuvas de 2010. Mais uma vez a administração municipal foi indagada sobre essa questão, mas não respondeu, assim como o Ministério do Desenvolvimento Regional.

RELEMBRE O CASO
No dia 10 de novembro de 2018 o deslizamento de uma rocha matou 15 pessoas e deixou 22 famílias desalojadas após o desmoronamento no Morro da Boa Esperança, em Piratininga na Região Oceânica. A Prefeitura de Niterói se comprometeu a pagar, por um ano, o aluguel social de R$ 1.002, mediante a desocupação dos imóveis interditados.

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