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Primeiro réu do caso Patrícia Acioli é condenado a 21 anos de prisão

Um ano e quatro meses depois, finalmente os acusados pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli começam a pagar pelo crime que chocou o país, em agosto de 2011. Primeiro réu julgado, o ex-cabo da Polícia Militar, Sérgio Costa Júnior, foi condenado, na última terça-feira, a 21 anos de prisão, enquadrado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, mediante emboscada e para ocultar crimes anteriores) e formação de quadrilha. Sérgio, que foi exonerado da corporação, teve a pena reduzida em um terço em função da delação premiada (ter colaborado com a investigação) . Ele ainda terá que pagar 200 salários mínimos para a família da juíza por conta dos danos causados.

Em seu depoimento, o ex-PM contou toda a arquitetura do crime, sustentando sua participação sob alegação de se sentir “desconfortável” com as atitudes de Patrícia diante do auto de resistência (morte de suspeito em confronto com a polícia) do menor Diego Beliene, impetrado pela juíza.

“Eu estava como motorista naquele dia e nem fiquei perto para não chamar atenção e atrapalhar a operação. Fiquei a cerca de 4 quilômetros do local e soube depois pelos demais que ela havia mandado ninguém mexer na cena. Depois disso, quando soube de rumores que ela mandaria prender a todos os presentes naquele dia, inclusive a mim, me senti muito injustiçado”, declarou.

O réu ainda reafirmou ter sido o autor da maioria dos disparos contra o carro da juíza, mas não soube precisar a quantidade. Sérgio confidenciou que, após serem informados da decisão da juíza de prender os oito policiais envolvidos, decidiram segui-la do fórum de São Gonçalo até sua casa em Piratininga. O réu terminou o depoimento dizendo estar arrependido:

“Chorei muito no dia, depois de ter feito o que fiz. Acabou não só com minha carreira como também com minha família. Agora tenho que pagar pelo crime que cometi. Infelizmente, tive cabeça fraca. Me deixei levar pela emoção e fiz o que fiz. Mas desde o primeiro momento me arrependi com a desgraça que fiz com minha família e com a família dela (Patricia). Acredito muito na Justiça. Façam justiça comigo”, finalizou.

Além de Sérgio, outros 10 PMs ainda são acusados de participar do crime. O juiz do caso, Peterson Simão, da 3ª Vara Criminal de Niterói, decidiu ainda desmembrar o processo em relação aos outros sete acusados, que estão aguardando o julgamento de recursos contra a sentença de pronúncia. Todos são acusados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha. Os réus Junior Cezar de Medeiros, Jefferson de Araújo Miranda e Jovanis Falcão Junior serão julgados no dia 29 de janeiro de 2013, também às 8h.

Memória – Em um crime bárbaro que chocou e indignou o país, a juíza Patrícia Acioli foi assassinada com 21 tiros, de pistolas calibre 40 e 45, no dia 11 de agosto de 2011, quando chegava em sua casa, em Piratininga. A juíza era titular da comarca de São Gonçalo, e combatia milícias que atuam na região.