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Fruto da Terra: Leonardo

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Ao contrário da maioria dos jogadores de futebol no Brasil, Leonardo não teve uma infância pobre, sem estrutura, muito menos traumática. Nascido em uma família de classe média, em 5 de setembro de 1969, aos 43 anos, o agora ex-atleta tornou-se um dos mais importantes nomes do esporte fora das quatro linhas. Extremamente inteligente, ele é mais um niteroiense que ganhou o mundo com seu talento e sua capacidade.

Morador da Rua Tavares de Macedo, em Icaraí, Leonardo começou a bater suas primeiras bolas no campo do tradicional Clube Rio Cricket. Canhoto e extremamente habilidoso, Leonardo não demorou muito para tentar a sorte como profissional em seu time de coração, o Flamengo. Aos 17 anos foi lançado, pelo então técnico Carlinhos, à equipe principal que disputava a Copa União. Jogando ao lado de nomes como Zico, Leandro, Andrade, Bebeto e Renato Gaúcho, o franzino lateral-esquerdo foi um dos destaques da campanha do tetracampeonato rubro-negro, em 1987.

Contudo, sua vida no Flamengo começou a se desgastar dois anos depois, em 1989, quando a torcida não o perdoou pela “falha” no gol do atacante Maurício, do Botafogo, que tirou o título estadual do rubro-negro. Mais tarde ficou comprovado pelas imagens que o jogador alvinegro havia “empurrado” Leonardo, enquanto o lateral saltava para cabecear a bola. No entanto, o jogador já estava com os dias contados na Gávea. Ainda conquistou o título da Copa do Brasil, em 1990, mas, logo em seguida, migrou para o São Paulo, a pedido do técnico Telê Santana, em uma troca que envolveu o meia Bobô e o lateral Nelsinho, para o Rio de Janeiro.

As grandes atuações de Leonardo pelo São Paulo atraíram a atenção do futebol internacional sobre o atleta. Em 1992 ele teria sua primeira experiência fora do país ao ser negociado para atuar no Valencia, da Espanha. Nesse período também começou a se fixar nas convocações à seleção brasileira, do comandante Carlos Alberto Parreira.

É tetra – O maior marco da carreira de Leonardo como jogador aconteceram no ano de 1994. De volta ao São Paulo e, agora, atuando no meio-de-campo, o atleta teve que regressar à sua posição de origem, a lateral, para disputar sua primeira Copa do Mundo, nos Estados Unidos. Então reserva do experiente Branco, Leonardo começou a agradar a comissão técnica, conquistando a vaga de titular em meio a competição. No entanto, ele foi obrigado a ver das tribunas o país conquistar o tetracampeonato mundial. Na partida diante os donos da casa, EUA, pelas oitavas-de-final, Leonardo perdeu a cabeça em um lance isolado com o meia norte-americano Tab Ramos e acertou uma cotovelada no rosto do adversário. Expulso, ele foi suspenso durante todo o resto do torneio.

Porém o lance não manchou a imagem de “bom moço” de Leonardo. No mesmo ano aceitou uma oferta milionário do futebol japonês para ser o substituto de Zico, que havia se aposentado, no Kashima Antlers. E foi na Terra do Sol Nascente que, talvez, Leonardo tenha vivido a sua melhor fase técnica. Jogadas geniais e gols, muitos gols, colocaram o craque novamente em evidência, sendo novamente convocado para a seleção brasileira, agora sob comando de Zagallo.

Copa de 1998 – De volta ao futebol europeu, Leonardo, agora pelo Paris Saint Germain (PSG) é convocado para a sua segunda Copa do Mundo, a da França, em 1998. Novamente iniciando como reserva, ele ganhou a vaga de titular ao barrar o meia Giovanni, então a principal aposta de Zagallo para o time. Mais experiente, Leonardo foi peça fundamental da equipe que chegou a mais uma decisão. No final, no entanto, aconteceu toda aquela história em relação ao estado de saúde do atacante Ronaldinho e ficamos com o vice.

Em 2001, Leonardo transferiu-se para o futebol italiano. Foi jogar no gigante Milan. Apesar de poucos jogos disputados com a camisa rossonera, ele causou muito boa impressão dos dirigentes do clube que passaram a apostar no jogador também como um futuro dirigente ou treinador.

De volta ao Brasil – Já pensando em aposentadoria, Leonardo retornou ao futebol brasileiro para realizar o sonho pessoal de vestir pela última vez as camisas de Flamengo e São Paulo. Primeira, no final de 2001, ele retornou ao Morumbi, e depois 11 anos mais tarde, regressou ao seu clube de origem, o Flamengo, em 2002. Suas atuações durante esse período foram tão positivas que o técnico Luiz Felipe Scolari o convocou para novamente defender a seleção, no entanto, o atleta declinou dizendo que seu ciclo como profissional já tinha terminado, pendurando as chuteiras aos 34 anos.

Técnico – Como muitos imaginavam, o futuro de Leonardo seria como dirigente ou treinador. Depois de anunciar aposentadoria, o Milan fez uma proposta para que o atleta voltasse a jogar, mas, que ao mesmo tempo, fizesse um laboratório dentro do clube italiano para se tornar treinador, ou, gestor de futebol, o denominado Manager.  Entre 2003 e 2009,  Leonardo ocupou o cargo de dirigente e consultor de mercado do clube italiano, tendo sido o responsável direto pela contratação do brasileiros Kaká, que viria a ser o melhor jogador do mundo, em 2007. Dois anos depois, em 2009, Leonardo trabalharia pela primeira vez como técnico, assumindo o posto deixado por Carlo Ancelotti. Entretanto, apesar do carinho e muito elogios, sua estada à frente do Milan durou apenas uma temporada.

Buscando afirmação na nova profissão, Leonardo pulou os muros de Milão e foi parar no arquirrival do Milan, a Internazionale, onde conquistou seu primeiro título no cargo, a Copa da Itália. Em junho de 2011 deixou o cargo para novamente assumir uma função administrativa. Com o objetivo de colocar o futebol francês novamente entre os gigantes do mundo, ele foi contratado para gerenciar o mais novo time milionário do momento, o Paris Saint Germain.

Gol de Letra –  Em 1998, ao lado do também craque Raí, seu maior amigo ao longo da carreira, Leonardo inaugurou a Fundação Gol de Letra, ONG que atende cerca de 1.300 crianças nas sedes em São Paulo (Vila Albertina) e Rio de Janeiro (Caju). No local os jovens têm a oportunidade de integração social e educacional, sendo disponibilizadas atividades de arte, cultural, comunicação, esporte, lazer, cidadania e educação para o trabalho.
 


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