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Continua a greve dos rodoviários em Niterói!

Após a segunda audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na tarde desta segunda-feira, permanece o impasse entre rodoviários de Niterói e cidades vizinhas e o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Setrerj). Representantes do Setrerj mantiveram a proposta de 10% dos reajuste no salário e 25% na cesta básica. Os rodoviários resolveram fazer nova assembleia para definir os rumos da greve. Com isso, a paralisação continua em Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Tanguá.

No início da tarde, o Departamento de Transportes Rodoviários (Detro) divulgou nota pedindo que patrões e empregados do sistema rodoviário fluminense, assim como autoridades da Justiça do Trabalho, deem solução imediata aos impasses que vêm comprometendo, desde o dia 29 de março, o direito de ir e vir da população de municípios da Região Metropolitana do estado. Apesar de, como órgão regulamentador, não ter ingerência direta nas questões trabalhistas, o órgão diz que age em defesa dos usuários do transporte público intermunicipal.

“O Detro pede aos rodoviários que, nas assembleias previstas para esta segunda-feira, quando será decidida a manutenção ou suspensão do movimento grevista liderado pelos sindicatos dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) e de Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Nova Iguaçu, prevaleça o bom senso, e à Justiça do Trabalho para que exerça seu poder de forma que as cerca de 2 milhões e 300 mil pessoas que dependem do transporte público para seus deslocamentos diários nessas regiões não sejam mais prejudicadas”, diz a nota, assinada por Alcino Carvalho, presidente em exercício do Detro.

Pelo terceiro dia, a greve dos rodoviários está afetando a rotina dos estudantes de Niterói. Apesar de as universidade terem retomado as aulas nesta segunda-feira – depois de suspendê-las na quinta e sexta-feira – a frequência de alunos nas salas continua muito baixa. A maioria das instituições resolveu remarcar a data de provas agendadas para os últimos dias. Depois de ficar 40 minutos no ponto de ônibus esperando a condução, a estudante de arquitetura Jeane Rodrigues, de 25 anos, da Unipli, no Centro do município, resolveu voltar para casa em Icaraí, na Zona Sul da cidade:

– Acho um absurdo ficar tanto tempo no ponto. Pelo tempo de espera ja iria perder a primeira aula.

Já o estudante de direito Felipe da Cruz, de 27 anos, morador do Morro do Castro, depois de ficar uma hora esperando o ônibus decidiu pagar R$ 10 pelo serviço de um mototaxista. A tarifa normalmente sairia a R$ 2,75.

– Só aceitei pagar esse valor porque eu tinha prova. Ele me cobrou muito caro. E, para completar a desgraça, quando cheguei na faculdade descobri que a prova foi adiada – disse indignado o universitário.

Outro estudante que também viu seu esforço ser em vão foi Oscar Spitz, de 27 anos, aluno do curso de Direito da Universidade Salgado de Oliveira, morador do Ingá. Ele acordou cedo para assistir as aulas, chegou à universidade e encontrou a sala de aula a vazia. O diretor da Universo José Mocarzel Filho disse que todos os professores estão na instituição para receber os alunos. No entanto, segundo ele, o problema é a baixa frequência dos estudantes.

A greve afetou também o funcionamento das escolas de Niterói. Das 67 unidades municipais, dez não abriram as portas nesta segunda-feira devido à falta de professores, funcionários e alunos. Outras 21 escolas funcionaram parcialmente. A assessoria informa ainda que a Secretaria e a Fundação Municipal de Educação de Niterói se comprometem com a reposição do dia letivo/carga horária do aluno, de acordo com cada unidade escolar. São 10 escolas fechadas e 3,5 mil alunos sem aulas na rede municipal de ensino de Niterói.

As escolas particulares também apresentaram baixa frequência de alunos nesta segunda. O Colégio Marília Mattoso, em São Domingos, registrou a falta de 15% dos estudantes. Embora não tenha feito um cálculo, o Salesianos, em Santa Rosa, confirma que também teve a frequência nas salas de aulas afetada.

via OGlobo