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Apagões se repetem e cresce a revolta: Enel volta a colapsar em Niterói após chuva comum

A madrugada desta terça-feira (20) expôs mais um episódio da crise enfrentada pelos moradores de Niterói com o serviço da Enel. Após uma noite de chuva moderada, típica do verão, diversos bairros ficaram horas sem energia elétrica, reacendendo a insatisfação generalizada com a concessionária.
Em Icaraí, na Zona Sul, moradores relataram que por volta das 22h uma forte explosão em um poste interrompeu o fornecimento de energia mesmo quando a chuva ainda era fraca. Ao longo da madrugada, novas explosões ocorreram na rede, deixando prédios, condomínios e comércios totalmente no escuro até o amanhecer.
Segundo especialistas e relatos constantes da população, o problema não está nas chuvas, mas na deterioração da infraestrutura elétrica. Fios expostos, cabos pendurados, postes comprometidos e uma rede antiga, sem modernização, tornam qualquer instabilidade climática suficiente para provocar apagões.
A rede elétrica da cidade sofre com falta de manutenção preventiva, baixa resistência a fenômenos climáticos comuns e equipamentos obsoletos, resultando em riscos de curto-circuitos, incêndios e cortes frequentes de energia. Moradores relatam ainda demora e burocracia para reparo de postes danificados, obrigando a população a insistir repetidamente por atendimento.
Enquanto o serviço se deteriora, o valor das contas de luz segue alto, e consumidores enfrentam cobranças rigorosas por atrasos mínimos, inclusive com negativação de nomes no Serasa. Muitos moradores relatam que a data de vencimento não coincide com o recebimento do salário, mas não há flexibilização por parte da concessionária.
Em 2025, o Ministério Público Federal entrou com ação para suspender a recomendação da Aneel que permitiria renovar a concessão da Enel por mais 30 anos. O órgão afirma que a empresa manipula indicadores, se beneficia de falhas de fiscalização e apresenta problemas graves na prestação do serviço, afetando cerca de 7 milhões de moradores do estado. A Enel lidera reclamações e figura entre as empresas com mais ações judiciais no Tribunal de Justiça.
Outro ponto levantado pelo MPF envolve os “expurgos”, recursos usados para excluir ocorrências dos relatórios oficiais de qualidade. Entre 2020 e 2024, enquanto a média das distribuidoras foi de 54,73%, a Enel atingiu 115,47%, o que indica que a empresa precisou “apagar” mais interrupções do que o previsto para não piorar seus indicadores.
Para os moradores de Niterói, os sucessivos apagões se tornaram intoleráveis. A população exige respeito, segurança e investimento em uma rede compatível com o tamanho e a complexidade da cidade. As chuvas continuarão acontecendo, mas explosões em postes e falta de energia não podem seguir sendo tratadas como uma rotina aceitável.
















