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TEATRO “A Rainha dos Parangolés” traz obra de Aracy de Almeida na voz de Marcos Sacramento

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A obra de Aracy de Almeida em “A Rainha dos Parangolés” – Clássicos do Samba
Roteiro de Hermínio Bello de Carvalho
Data: Quarta-feira, 02 de setembro de 2015
Horário: 19h
Ingressos: R$ 40 | Meia-entrada: R$ 20
Duração: 70 min
Classificação etária: livre

Teatro Municipal de Niterói
Rua XV de Novembro, 35, Centro, Niterói-RJ
Tel: (21) 2620-1624

Misturando música e pequenas histórias, o espetáculo “A Rainha dos Parangolés” chega ao Teatro Municipal para reviver as múltiplas facetas de uma das mais importantes intérpretes da música popular brasileira, Aracy de Almeida. A apresentação, que acontece na quarta, 02 de setembro de 2015, às 19h, faz parte do projeto Clássicos do Samba, e reúne o cantor Marcos Sacramento e o violonista Luiz Flávio Alcofra, num roteiro criado pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho e composto de histórias e obras musicais dessa personagem carioca. Os ingressos custam R$ 40 reais.

Aracy de Almeida (1914-1988) é uma personagem multifacetada. Amiga de artistas e intelectuais, ela se consagrou na história da música popular brasileira como uma estilista do samba. Para celebrar o centenário de nascimento da cantora, o espetáculo “A Rainha dos Parangolés” apresenta histórias saborosas de Aracy de Almeida entremeadas com músicas de seu inestimável repertório.

Quem nos conduz pela trajetória da homenageada é o poeta, produtor e compositor Hermínio Bello de Carvalho, que em 70 minutos de espetáculo, traça um perfil da artista carioca, de quem foi amigo pessoal por mais de 20 anos.

Na companhia do violonista e diretor musical Luiz Flávio Alcofra, o cantor e compositor Marcos Sacramento interpreta as canções que ficaram consagradas na voz de Aracy, como as marchas carnavalescas “O passarinho do relógio” e “A mulher do leiteiro” (ambas de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), os sambas “Fez bobagem” (Assis Valente) e “Camisa amarela” (Ary Barroso), além de canções de autoria de Noel Rosa, a exemplo de “Coisas nossas”, “Último desejo” e “O orvalho vem caindo”. Com mais de três décadas de carreira, o niteroiense Sacramento é um especialista em samba carioca, com uma elogiada discografia dedicada ao gênero.

Aracy, a “Rainha dos Parangolés”

O título do evento faz referência aos parangolés criados pelo artista plástico carioca Hélio Oiticica (1937-1980), uma espécie de capa que possibilitava novas identidades a quem a vestia. “Aracy de Almeida também era, por natureza, uma artista multiplicante e provocativa”, explica Hermínio. De acordo com o poeta e produtor, ela trazia em si uma carga de estranheza na voz, o que a diferenciava de outras cantoras. “Equilibrava-se muito bem na linha entre o deboche e o sarcasmo, e ao seu temperamento (dizia-se judia e comunista) somava aquilo que diagnosticava de vagotomia – uma tristeza que, subitamente, arroxeava-lhe a pele. Vivia, digo sempre, à flor dos ossos”, completa.

Em 1987, quando apresentava um programa semanal na TVE do Rio de Janeiro, Hermínio gravou uma longa entrevista com a amiga. Trechos desse raro especial compõem o roteiro de “A Rainha dos Parangolés” e serão exibidos num telão no palco. O espetáculo é uma produção da Olhar Brasileiro Produções Artísticas, tendo sido contemplado pela chamada pública de Ocupação Artística e Cultural 2015.

A trajetória de Aracy revela uma intérprete à frente de seu tempo. Quando surgiu na década de 1930, já trazia o marco divisor que o movimento modernista de 1922 delineara. Daí ter gravado (e de uma certa forma consagrado) Noel Rosa, e também Custódio Mesquita, Ari Barroso, Wilson Batista e Valzinho. Fecharia esse ciclo, décadas depois, com Caetano Veloso.

“Ao nascer em 1914, parecia já ter traçado seu rumo: beber cerveja Cascatinha com Noel Rosa na Taberna da Glória, onde encontraria Mário de Andrade, e se tornar amiga de personagens como Vinicius de Moraes, Antonio Maria, Paulo Mendes Campos, Di Cavalcanti, Tônia Carrero e tantos outros”, explica Hermínio. Aracy gravou dezenas de discos e atuou em boates das mais refinadas, até que, aos poucos, foi se retirando para sua casa no bairro do Encantado, onde curtia plantas e cachorros e quase não recebia visitas.

Ao ser chamada para fazer parte do júri do Programa Silvio Santos, ela ganhou um súbito vento de notoriedade, porém, não mais na qualidade de cantora. “Era simplesmente uma jurada, vestindo o parangolé de um personagem de maus bofes, desaforada – e foi essa imagem que se cristalizou diante do enorme público que a assistia. Paradoxalmente, era adorada pelo personagem/parangolé que passou a fantasiá-la”, comenta Hermínio.

Hermínio Bello de Carvalho

Aos 80 anos, o produtor, poeta e letrista Hermínio Bello de Carvalho é quase uma linha histórica da música brasileira do último século. Inspirado por Mário de Andrade, com quem aprendeu a ter os ouvidos atentos a tudo o que há de bom no mundo, foi parceiro de grandes, como Cartola, Dona Ivone Lara e Paulinho da Viola, responsável por marcos como o espetáculo “Rosa de ouro” e o Projeto Pixinguinha. Hermínio já foi mais de uma vez apontado como um anjo (“mulato de cabelos brancos e olhos verdes”, como já se definiu) que impulsiona a beleza apolínea, perfeita, divina da música brasileira. Sobre a obra de Aracy, Hermínio destaca: “Quando saiu o disco de Aracy cantando Noel (de 1950), com capa de Di Cavalcanti, arranjos de Radamés, vi uma obra de arte completa: música, letra, arranjo, capa. Queria estar nesse lugar”.

Marcos Sacramento

Versátil, Marcos Sacramento começou sua trajetória nos anos 1980 cantando pop/rock, e hoje se destaca como cantor de sambas. Em sua carreira, cantou ao lado de grandes artistas brasileiros, em especial da cena musical de Niterói, interpretando as obras de nomes como Assis Valente, Noel Rosa e Custódio Mesquita. Em 1994, lançou seu primeiro CD solo, “A Modernidade da Tradição”. Seu mais recente trabalho, “Na Cabeça”, foi uma síntese de tudo que vinha fazendo em disco, segundo o próprio cantor.

Luiz Flavio Alcofra

Violonista, compositor e arranjador, Alcofra é integrante dos grupos de música brasileira “Água de Moringa” e “Terno Carioca”. O artista fez parte de diversas orquestras e grupos instrumentais, tendo, em 2009 participado do processo de revisão das obras de Pixinguinha para Orquestra, realizada pelo Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. Com uma discografia composta por seis álbuns, entre eles, o mais recente “Fotografia”, lançado em 2012, o músico também atua como professor de violão e educação artística.