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Fundação de Arte de Niterói lança ANAMNESE, espetáculo acessível que comemora o Abril Azul
A apresentação, baseada em histórias reais de mães com filhos autistas, contará com sala de acolhimento, iluminação inclusiva, recurso de audiodescrição e interpretação de libras
Em comemoração ao Mês da Conscientização do Autismo, a Fundação de Arte de Niterói apresenta o espetáculo “ANAMNESE”.
O evento é gratuito e acontece sábado, dia 29 de abril, a partir das 16h, na Sala Nelson Pereira dos Santos. Mães de crianças atípicas vão dar luz às histórias e vivências de suas famílias.
A apresentação contará com sala de acolhimento, iluminação inclusiva, recurso de audiodescrição e interpretação de libras.
A peça foca na realidade de mães que buscam por um mundo mais inclusivo. O espetáculo foi baseado em histórias reais que, em cena, serão interpretadas pelas próprias personagens que as vivenciaram.
Fruto de rodas de conversa e um processo criativo pautado pela inclusão, a peça fala sobre situações desde a gestação, o nascimento e a descoberta do autismo, além das alegrias e preocupações que se fazem presentes. Direção, produção e roteiro ficaram a cargo de funcionários da FAN.
Juli Costa, Coordenadora de Acessibilidade Cultural, compartilhou um pouco do processo para tornar ANAMNESE inclusivo desde a sua concepção à preparação da Sala Nelson para o público.
“A peça foi pensada para e com mães atípicas e isso já é um ponto de partida muito importante. Nosso objetivo foi acessibilizar a própria interpretação do que existe no cotidiano dessas mães que, no sábado (29), estarão no palco. É uma grande alegria produzir esse recurso não só para o público autista mas também para cegos e para pessoas com baixa visão. Vamos conseguir promover, de fato, o acesso à cultura disponibilizando o recurso de audiodescrição, uma sala de acolhimento, a adaptação da iluminação e a interpretação da peça em libras”.
Felipe Tauil, Diretor da Sala Nelson Pereira dos Santos, enaltece a importância da acessibilidade e explica como o equipamento se tornou “a casa da família atípica”:
“A Sala é um espaço pioneiro na questão da acessibilidade cultural. Foi um processo que teve início quando o Fernando Brandão era diretor da sala e demos continuidade. O resultado desse trabalho é que, hoje, nos tornamos uma referência em acessibilidade, não só para o público, como para artistas e expositores.”
Lilian Pesavento, terapeuta, ativista e mãe de uma menina atípica, faz parte do elenco do espetáculo.
“O ANAMNESE me ofereceu uma nova maneira de expressar e colocar os meus sentimentos. Tenho comentado muito com as outras mães: ‘é a nossa chance de falar o que, muitas vezes, a gente engole, finge que não percebe e que magoa muito’ ”, comentou Lilian. De acordo com a terapeuta, por misturar arte e conscientização, essa iniciativa da Fundação oferece algo há muito batalhado por essa comunidade: “Uma das nossas maiores brigas é que os nossos filhos possam estar em qualquer lugar. A gente sente muita falta de voltar a frequentar cinemas, teatros e muitos outros ambientes que não são preparados para nos receber. O ANAMNESE é a realização do nosso sonho nesse sentido. Além disso, temos a esperança de que ele se expanda e sirva de inspiração para muitos projetos culturais”.
Promover acessibilidade cultural vai muito além da inclusão de pessoas com deficiência e necessidades especiais. Essa iniciativa da FAN questiona: “quem cuida de quem cuida?”.
A partir dessa premissa, o ANAMNESE foi pensado para dar visibilidade para o autismo ao mesmo tempo em que foca nas mulheres e atrizes do espetáculo além dos seus papéis enquanto mães de filhos atípicos.
Emanuelle Rocha, uma das participantes, mãe de uma criança atípica e responsável pela Casa Atípica, comentou sobre a sua experiência com a peça.
“Tudo foi inovador e gostoso demais de sentir. Nós, mães atípicas, não temos tempo pra gente. Então, o teatro, enquanto essa arte maravilhosa que é, trouxe um momento de respiro. Além disso, esse espetáculo é uma oportunidade de extravasar choro, dor, vergonha e outros assuntos que guardamos no coração e aparecem na peça. Tudo isso a gente conseguiu botar no palco.
No dia do espetáculo, haverá uma exposição de arte “TEAmar: visões de quem convive com o autismo” com obras de Priscila Muros, Fernanda Dalles e Kalenna Brabo e a Exposição: Superando as dificuldades do Autismo através da Arte com obras da Babi SuperArte. Haverá, também, venda do livro “Querida Mãe Atípica”, de Chris Fonseca.
Serviço:
Evento: espetáculo ANAMNESE
Data: Sábado, dia 29 de abril de 2023
Horário: 16h
Evento gratuito
Classificação indicativa: Livre
Local: Sala Nelson Pereira dos Santos
End.: Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos, Niterói
Créditos da foto (anexo): Divulgação
