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Projeto “Eliminar a dengue” continua na Região Oceânica
Depois de um bem-sucedido começo em Jurujuba, chega à Região Oceânica o programa que utiliza o próprio Aedes aegypti para controlar a proliferação de doenças transmitidas pelos mosquitos. O projeto internacional Eliminar a Dengue, conduzido no Brasil pela Fiocruz, iniciou esta semana as atividades informativas e de engajamento comunitário em Cafubá, Camboinhas, Itacoatiara, Jacaré, Jardim Imbuí, Piratininga e Santo Antônio. A metodologia consiste na soltura de mosquitos com a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade dos insetos de transmitir doenças como zika, dengue, chicungunha e febre amarela. A Fiocruz estima que a iniciativa ajude a proteger mais 32 mil habitantes na região.
A equipe de Engajamento Comunitário da Fundação esteve em Itacoatiara para apresentar a metodologia e tirar dúvidas dos moradores. Essa etapa precede a liberação dos Aedes. Os pesquisadores vão soltar periodicamente os mosquitos contaminados nessas áreas, com o objetivo de substituir gradualmente a população de mosquitos de campo pelos com Wolbachia. A incidência passa a aumentar naturalmente, à medida que os insetos cruzam, e as fêmeas passam a bactéria às larvas. Com o tempo, a expectativa é que a maior parte ou a totalidade dos mosquitos urbanos seja portadora da bactéria.
Na primeira localidade onde o projeto chegou, em Charitas, as análises da Fiocruz confirmam que 90% dos mosquitos, atualmente, estão modificados.
ANÁLISES SEMANAIS
Em Itacoatiara, depois de apresentar o projeto para a Sociedade dos Amigos e Moradores de Itacoatiara (Soami), integrantes do projeto firmaram, semana passada, um termo de cooperação com 12 moradores, que voluntariamente ofereceram suas residências para a instalação de armadilhas para captura de mosquitos. Trata-se de uma câmara com uma ventoinha que suga os insetos. Uma vez por semana, uma equipe retira os capturados para identificar a proporção de Aedes com Wolbachia na região. A análise é feita através de exame de DNA.
Os mosquitos com bactérias são espalhados de duas formas: pela simples soltura ou utilizando-se os Dispositivos de Liberação de Ovos (LDO), recipientes com ovos que são espalhados em diferentes pontos. A Wolbachia, natural, retirada da chamada mosca da fruta, é inoculada no ovo do Aedes aegypti, para que o inseto se desenvolva com a bactéria no organismo de forma intracelular. De acordo com a Fiocruz, ela está presente em 60% dos insetos do mundo e não há qualquer risco para a população, os animais e o meio ambiente.
O método de combate foi desenvolvido na Austrália e chegou a Niterói há dois anos. Aqui, começou em Jurujuba e se expandiu para Charitas, Preventório, São Francisco e Cachoeira. O procedimento de escolha de voluntários e a colocação de armadilhas se repetirão em todos os bairros contemplados pelo projeto. E as análises semanais vão monitorar a frequência dos mosquitos com bactéria também na Região Oceânica. Os impactos na diminuição das doenças, porém, explica Luciano Moreira, só poderão ser avaliados após a expansão da iniciativa pela cidade:
— Com essa ampliação vamos poder acompanhar o antes e o depois da introdução, para ver se tem impacto. Mas dados do mundo todo mostram o controle de surto de dengue. Essa metodologia foi adotada por mais de 40 cidades pelo mundo.
Segundo a prefeitura, até o dia 12 de maio deste ano houve 268 casos suspeitos de dengue na cidade e nenhuma confirmação de zika e chicungunha. Em 2016 foram registrados 2.546 ocorrências suspeitas de dengue na cidade, um crescimento de 229% em relação ao ano anterior, quando houve 774 notificações. No ano passado, os casos confirmados de zika dispararam em relação a 2015, saltando de 11 para 190. As confirmações de chicungunha subiram de duas para 37.
O método também é uma maneira de proteger a população contra a febre amarela urbana — transmitida pelo Aedes aegypti. No atual surto da doença, contudo, só há registro de febre amarela transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que vivem na mata.
