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TEATRO Show “Sambaião”, de Gerson Borges, traz o melhor do baião e do samba para o Municipal

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Gerson Borges e banda em “Sambaião”
Data: 04 e 05 de setembro de 2015
Horário: sexta e sábado, às 20h
Duração: 100 minutos
Ingresso: R$ 40,00
Classificação etária: Livre

Teatro Municipal de Niterói
Rua XV de Novembro 35, Centro, Niterói-RJ
Tel: (21) 2620-1624

O cantor Gerson Borges sobe ao palco do Teatro Municipal com seu mais novo projeto, “Sambaião”. O show, que acontece nos dias 04 e 05 de setembro, sexta e sábado, às 20h, explora em canções certas confluências rítmicas e estilísticas desses dois gêneros de grande tradição da nossa música popular: o samba e o baião. A apresentação conta com participação especial da cantora Wanda Sá e do cantor Roberto Diamanso. Os ingressos custam R$ 40 reais.

Depois do show “Hoje”, que Gerson apresentou em 2014, também no Teatro Municipal, numa temporada com sucesso absoluto de público e crítica, o cantor, compositor, violonista, poeta e escritor apresenta seu mais novo espetáculo, “Sambaião”. Indo na contramão das formalidades, que associam de prontidão o diálogo entre o samba e o choro, Gerson quis explorar as possibilidades rítmicas e históricas entre o baião, que ele chama carinhosamente em uma de suas canções de “Primo-Irmão”, e o samba.

Com influências musicais que vão de Tom Jobim a Gonzagão, Gerson preparou um repertório com diversas composições inéditas, e contará com uma banda formada por Fernando Merlino, no piano e na direção musical, Erivelton Silva, na bateria, Nema Antunes, no baixo, Marcio Teixeira, na percussão, Zé Américo, na sanfona, e os sopros de Tino Jr. e Julinho Merlino. Do espetáculo também participarão Wanda Sá, amiga de Gerson e uma das rainhas da Bossa Nova, e o cantor e poeta alagoano Roberto Diamans.

Sambaião que não vem de hoje

Nessa linha histórica que liga o baião ao samba e à música popular brasileira, pouca gente sabe, mas “Os Cariocas”, um dos mais antigos conjuntos vocais de música popular, gravaram, em 1948, canções de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, o baião dos baiões. João Donato, um dos precursores da Bossa Nova , também tocava – e muito bem – sanfona/acordeão. Gilberto Gil, um dos responsáveis pelo interesse mais sério de Gerson pelos instrumentos e pelo trabalho como compositor, tocava sanfona e foi para o violão pela mão direita de João Gilberto.

Quem ouvir verá que “os baixos do seu acordeão fraturavam o ritmo como uma metralhadora de síncopes e produziam uma batida que antecipava, quase sem tirar nem pôr, a do violão de João Gilberto, cinco anos antes de “Chega de Saudade”. Era tão moderno que, na época, ninguém entendeu. Donato quase traz o acordeão, tido equivocadamente como instrumento mais do baião, para o lugar de destaque do violão na nossa canção”, afirma o jornalista Ruy Castro.

Como acreditar que o baião, tão alegremente tornado nacional por Luiz Gonzaga e Dominguinhos, preconceituosamente, para alguns, “só servia como coreografia para matar uma barata no canto da sala”, se questiona Ruy Castro. Gerson vem para mostrar que essa relação entre diversos ritmos pode, sim, fazer parte do que se tece e se entende por música de qualidade.

Gerson Borges

Carioca vivendo em São Paulo, Gerson Borges tem sua inspiração garantida pela música do Clube da Esquina, aquela “fábrica maravilhosa de boa música”, como opinou Pat Metheny. O artista, que mantém um pé na música e cultura do nordeste, e os ouvidos e o coração no mundo do jazz, nas melodias arrebatadoras de Bach e na exuberante emoção barroca, é um músico que não gosta de modo algum de usar as mesmas fórmulas e caminhos. Saindo da música sacra protestante, passando pelo samba carioca, que ouviu nas ruas do subúrbio, e pela complexidade harmônica de Jobim e da Bossa Nova, a musicalidade de Gerson também explora os trabalhos de Toninho Horta e Milton Nascimento, e a inventividade de Miles Davis. Imagético, cheio de espiritualidade, intensidade e poesia, o músico já gravou oito CDs, e carrega nas mãos o desafio poético de fazer composições autênticas.