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PF prende Márcio Canella e Marcus Amim em operação que investiga esquema de R$ 7,6 bilhões: veja a ligação da investigação com Niterói
Oitava fase da Operação Unha e Carne cumpriu seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão; ex-secretário de Polícia Civil foi preso em Niterói, e Justiça determinou a suspensão das atividades de 112 empresas.
A Polícia Federal (PF) prendeu seis pessoas nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro no estado do Rio de Janeiro. Entre os presos estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito, e Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio.
Também foram presos quatro inspetores da Polícia Civil: Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos, conforme dados de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O valor corresponde às movimentações financeiras identificadas pelos investigadores e não significa que todo o montante tenha origem criminosa comprovada.
Quem são os seis presos na Operação Unha e Carne?
A oitava fase da operação teve como alvos seis pessoas, entre políticos e agentes da segurança pública.
- Márcio Canella: ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito pelo União Brasil.
- Marcus Vinicius Amim Fernandes: delegado da Polícia Civil e ex-secretário estadual de Polícia Civil.
- Christiano Gaspar Fernandes: inspetor da Polícia Civil e secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo.
- Giovanni Gaspar Fernandes: inspetor da Polícia Civil.
- José Carlos Alves de Souza Júnior: inspetor da Polícia Civil.
- Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo: inspetor da Polícia Civil.
De acordo com as informações divulgadas, os investigados são suspeitos de envolvimento em diferentes frentes da estrutura apurada, que incluiria movimentações financeiras, empresas do setor de combustíveis e possíveis mecanismos de proteção institucional. A responsabilidade individual de cada um ainda precisa ser estabelecida no decorrer da investigação.
Marcus Amim é preso em Niterói
Marcus Vinicius Amim Fernandes foi preso em Icaraí, na Zona Sul de Niterói, nesta quinta-feira. Delegado de polícia, ele já ocupou o cargo de secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e também presidiu o Departamento de Trânsito do Estado (Detran-RJ).
Natural de Niterói, Amim ganhou notoriedade por sua atuação na área de segurança pública e por participações como comentarista em programas de televisão. Ele deixou o comando da Polícia Civil em setembro de 2024 e, posteriormente, passou a atuar na estrutura de segurança da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
O delegado já havia sido alvo de buscas em uma fase anterior da Operação Unha e Carne. Agora, sua prisão preventiva ocorre no contexto do aprofundamento das investigações sobre a suposta rede de lavagem de dinheiro.
Os investigadores apuram possíveis relações entre agentes públicos e a estrutura empresarial investigada. As suspeitas ainda estão sob apuração e não representam uma condenação.
Márcio Canella também foi preso pela Polícia Federal
Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, foi preso em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Ele foi prefeito de Belford Roxo e se elegeu deputado estadual nas eleições de 2026 pelo União Brasil, com 197.178 votos.
Canella já havia sido alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, em julho. Na ocasião, foi preso em flagrante após a localização de um fuzil em seu carro. A defesa afirmou, à época, que a arma estava registrada em nome de um policial militar responsável por sua segurança. Ele foi solto posteriormente.
Na nova fase, a prisão foi determinada preventivamente no âmbito da investigação sobre a suposta organização criminosa.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, os investigadores apuram possíveis relações entre o ex-prefeito e integrantes da estrutura investigada. As suspeitas precisam ser analisadas à luz das provas reunidas no inquérito.
Quatro inspetores da Polícia Civil também foram presos
Além de Canella e Marcus Amim, a Polícia Federal prendeu quatro inspetores da Polícia Civil.
Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, é apontado nas informações sobre a investigação como um dos possíveis operadores econômicos do esquema. Ele seria ligado a uma rede de postos de combustíveis registrados formalmente em nome de terceiros.
José Carlos Alves de Souza Júnior também é investigado por suposta participação na estrutura. Durante diligências em um endereço relacionado a ele, foram encontrados R$ 40 mil em dinheiro escondidos em uma adega.
Já Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes, irmãos e inspetores da Polícia Civil, são suspeitos de manter vínculos empresariais e financeiros com integrantes da organização investigada. Christiano também ocupa o cargo de secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo.
As possíveis funções atribuídas a cada um fazem parte das linhas de investigação e ainda dependem da análise das provas e das decisões judiciais.
PF apreende carro de luxo e dinheiro em diligências
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu bens e objetos em endereços relacionados aos investigados. Entre os itens divulgados estão veículos de luxo, motocicletas, relógios e dinheiro em espécie.
Em um endereço relacionado a José Carlos Alves de Souza Júnior, foram encontrados R$ 40 mil escondidos em uma adega, junto a garrafas de vinho.
Também foi divulgado que um Cadillac Escalade, avaliado em aproximadamente R$ 2,3 milhões, foi apreendido em outro endereço relacionado à investigação.
As apreensões fazem parte das medidas destinadas a preservar bens que possam ter relação com os fatos apurados. A localização de dinheiro ou de um veículo de alto valor, isoladamente, não comprova a origem ilícita dos bens.
PF faz buscas em mansões de luxo em Camboinhas, Itaipava e Angra dos Reis
A oitava fase da Operação Unha e Carne também teve como alvo imóveis de alto padrão ligados aos investigados. Entre os endereços estão uma cobertura em Camboinhas, na Região Oceânica de Niterói, uma mansão em Itaipava, na Região Serrana, e uma propriedade em Angra dos Reis.
Cobertura de R$ 22 milhões em Camboinhas
Em Niterói, a Polícia Federal realizou buscas em uma cobertura duplex em Camboinhas, avaliada em aproximadamente R$ 22 milhões. O imóvel está ligado ao inspetor da Polícia Civil José Carlos Alves de Souza Júnior, um dos seis presos na operação.
Segundo informações divulgadas sobre a diligência, os agentes encontraram R$ 40 mil em dinheiro vivo escondidos dentro de uma adega, entre garrafas de vinho.
A cobertura tem aproximadamente 536 metros quadrados, vista para o mar, sete quartos, cinco suítes e cinco vagas de garagem. O imóvel também conta com piscina, hidromassagem e espaço gourmet, de acordo com informações de um anúncio de venda.
Mansão em Itaipava tem piscina e academia particular
Outro imóvel alvo de buscas fica em Itaipava, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. A mansão, também relacionada a José Carlos Alves de Souza Júnior, possui ambientes internos amplos, mobiliário de luxo e mesa de pingue-pongue.
Na área externa, a propriedade conta com piscina, academia particular e vista para as montanhas. As buscas integram as diligências destinadas a reunir elementos sobre o patrimônio dos investigados e sua possível relação com os fatos apurados.
Casa de luxo em Angra dos Reis
A Polícia Federal também realizou buscas em uma propriedade em Angra dos Reis, ligada ao inspetor Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, que também foi preso nesta quinta-feira (15).
O imóvel chama a atenção pela estrutura de lazer, com piscina ampla, gramado, quadra de areia, espaço gourmet e paisagismo.
Pablo Russo é apontado pelos investigadores como uma figura importante na estrutura econômica suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para movimentar recursos e ocultar sua origem.
Imóveis fazem parte da investigação patrimonial
As diligências nos imóveis de luxo ocorrem no contexto da investigação que apura movimentações financeiras superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas relacionadas à rede investigada.
A realização de buscas e a apreensão de dinheiro não significam, isoladamente, que os imóveis tenham sido adquiridos com recursos ilícitos. A origem do patrimônio e sua eventual ligação com os crimes investigados ainda dependem da análise das provas e das decisões judiciais.
Operação cumpre mandados em sete municípios do RJ
De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As diligências ocorreram nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas relacionadas à rede investigada. Desse total, 96 são postos de combustíveis.
As medidas buscam impedir a continuidade de atividades suspeitas e preservar patrimônio enquanto as investigações avançam. A suspensão das empresas não representa, por si só, uma condenação definitiva de seus responsáveis.
O que a PF investiga na rede de postos de combustíveis?
A principal suspeita é de que uma rede de postos tenha sido utilizada para movimentar recursos e ocultar dinheiro de origem criminosa. Os investigadores também apuram possíveis relações entre empresários, agentes públicos e articulações político-institucionais.
O relatório do Coaf identificou movimentações financeiras superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. A investigação procura esclarecer a origem dos valores, a finalidade das transações e a eventual participação de cada pessoa ou empresa.
Entre os crimes investigados estão organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comércio ilegal de combustíveis e formação de cartel.
As suspeitas não devem ser atribuídas indistintamente a todos os investigados. A responsabilidade de cada um dependerá das provas reunidas e da avaliação do Poder Judiciário.
Como começou a Operação Unha e Carne?
A Operação Unha e Carne teve como uma de suas frentes iniciais a suspeita de vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho.
Com o avanço das apurações, os investigadores ampliaram o foco para possíveis relações entre agentes públicos, articulações políticas e uma estrutura empresarial suspeita de lavagem de dinheiro.
A oitava fase integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal, e está relacionada às investigações realizadas no contexto das diretrizes do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635.
A nova etapa amplia as diligências sobre a suposta rede de lavagem de dinheiro e as possíveis conexões entre integrantes do poder público e a organização investigada.
O que dizem as defesas?
Até a divulgação das primeiras informações sobre a operação, a defesa de Márcio Canella havia informado que não teve acesso à decisão judicial. A defesa de Marcus Amim também aguardava acesso à decisão para se manifestar.
Advogados de Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes afirmaram que os dois não tinham tido acesso aos autos e foram surpreendidos pela prisão. A Polícia Civil informou que não compactua com desvios de conduta e que adota medidas administrativas e disciplinares diante de indícios de irregularidades.
O espaço permanece aberto para manifestações das defesas dos demais investigados.
As prisões preventivas e as apreensões não representam condenação. A investigação segue em andamento, e a responsabilidade de cada envolvido deverá ser estabelecida com base nas provas e nas decisões judiciais.
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