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Quiosques x ambulantes: a disputa continua nas praias

Muda ano, vira ano e a disputa pelas vendas nas areias da praias continua. A Associação de Quiosques das Praias de Niterói (APQN) alega que falta de ordenamento público nas praias da cidade e que até 98% dos produtos vendidos nas areias de Piratininga são de ambulantes. Outras praias como Itaipu, também na Região Oceânica, e Charitas, na Zona Sul, estão na lista de reclamações da entidade, já que os vendedores não cadastrados ocupam grandes faixas de areia, vendem produtos abaixo do preço médio, alugam mesas e cadeiras e ainda não retiram os lixos das areias.

A presidente da APQN, Regina Abreu, pede ao poder público ajuda para resolver as questões. Segundo ela diariamente recebe denúncias e reclamações da desordem das praias, desde a ocupação por camelôs em pontos fixos com aluguéis de mesas, cadeiras, guarda-sol, churrasqueiras, fritadeiras com botijão de gás, até despejo ilegal do lixo, que não é recolhido.

“Somos muito cobrados e temos que estar certos e documentados de tudo. Uma situação geral como essa acaba denegrindo a imagem do quiosqueiro, que não tem responsabilidade sobre essas coisas. Ano passado foi um ano pesado e sabemos da necessidade do trabalho. Não queremos prejudicar ninguém, queremos apenas que esses problemas não caiam na conta do quiosqueiro credenciado. É fundamental um ordenamento nas praias. Precisamos de fiscalização pois a nossa imagem fica negativa com ações como essa”, contou.

Na Praia de Charitas o movimento entre os 25 quiosques caiu em 40% com o livre comércio nas areias. Em Piratininga 98% dos produtos vendidos e das mesas instaladas nas areias são de ambulantes. Nas outras praias também não é difícil encontrar a mesma problemática com excesso de lixo que não é recolhido por quem trabalha vendendo, além do preço praticado ser injusto.

Os problemas levantaram a questão que os quiosqueiros passaram em 2017 com o risco de despejo, pedido pelo Ministério Público Federal (MPF). Na época foi solicitada a desocupação dos 25 quiosques por serem ocupações irregulares, segundo o órgão. Os quiosqueiros negam a ilegalidade e Patrícia Esteves explicou que os colegas de trabalho ainda querem a revisão desse processo e o tão sonhado alvará de funcionamento.

“Queremos essas revisões e mudanças. Tudo isso melhora o nosso trabalho. Estamos no auge do verão, próximos do Carnaval e precisamos rever essas questões. Só queremos trabalhar em paz, sem surpresas e prejuízos”, concluiu.

Outra questão apontada foi como ficará a questão dos quiosques com o Projeto Orla, anunciado em 2018 pela administração municipal.

“Com certeza estamos aguardando a padronização para podermos trabalhar de forma melhor e assim poder dar um atendimento melhor a população, mediante a nossa participação, através de um comitê gestor conforme acordado com o Secretário de Governo da época”, explicou Regina.

O Projeto Orla prevê a mudança da orla de Niterói desde a Ponta da Areia até a praia de Charitas o que totaliza 12 quilômetros. A previsão para início das obrar é o primeiro semestre desse ano com conclusão em 2020. Segundo nota da Prefeitura de Niterói no ano passado, o trajeto vai ganhar decks, mirantes e novo paisagismo e será dividido em três frentes de obras, que poderão ocorrer de forma simultânea, mesmo que não sejam iniciadas ao mesmo tempo: do Mercado São Pedro ao Forte Gragoatá, do Forte ao início da Estrada Fróes e na praia de Charitas.

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