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EXPOSIÇÕES Exposição “Xilocidade: paisagens que se transformam”, de André de Miranda

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Exposição “Xilocidade: paisagens que se transformam”, de André de Miranda
Data: De 02 de julho a 30 de agosto de 2015
Horário: De terça a domingo, das 10 às 18h
Classificação: Livre
Entrada Franca.

Local: Solar do Jambeiro
Endereço: Rua Presidente Domiciano, 195 – Boa Viagem
Telefone: (21) 2109-2222 | (21) 2109-2223

De 02 de julho a 30 de agosto de 2015, o Solar do Jambeiro recebe a exposição “Xilocidade: paisagens que se transformam”, do artista plástico carioca André de Miranda. Nela, o artista apresenta 40 xilogravuras impressas sobre folhas de jornal (offset) retiradas dos cadernos dos classificados de lançamentos de novos prédios. A entrada é franca e a mostra fica aberta à visitação de terça a domingo, das 10 às 18h.

Nesta série, iniciada em 2002, André de Miranda faz uma denúncia sobre o descaso com a memória da arquitetura em muitas cidades brasileiras. “Imprimo elementos da arquitetura antiga antes presente nesses mesmos terrenos, e que agora prevalece o novo em sacrifício do antigo; encontrando nesta forma de impressão a maneira mais poética de chamar a atenção para este problema urbano. Fica aqui estampada minha denúncia”, explica o artista.

Carioca, André é desenhista, pintor, gravador e artista educador. Iniciou seus estudos em xilogravura em 1979 com Ciro Fernandes e J. Borges E Marcelo Soares. Frequentou as oficinas do SESC Tijuca Rio, sendo aluno de Anna Carolina; gravura em metal com Heloisa Pires Ferreira; e a Escolinha de Arte do Brasil com Marcelo Frazão, além de ter convivido em diversos ateliês de gravura, desenho e pintura no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Sua primeira exposição individual de xilogravuras foi no Rio de Janeiro em 1981 e desde então já realizou mais de 300 mostras, entre individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. De 2004 a 2008, ministrou palestras e oficinas no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba, que tem algumas de suas obras no acervo, no SESC Unidade Centro e nas cidades de Maringá e Foz do Iguaçu, além de exposições em outras regiões do Paraná.

Além de inúmeros prêmios recebidos, destaca-se em 2003, o prêmio aquisitivo no 8º Salão Internacional de Gravura el Caliu – Olot – Girona, Espanha.

Se à primeira vista percebemos nesta série de xilogravuras de André de Miranda uma preocupação com a paisagem urbana tratada através de elementos arquitetônicos, um olhar mais atento e vagaroso vai perceber a dose de questionamento crítico endereçada aos agentes da especulação imobiliária que transformam rapidamente a paisagem dos grandes centros urbanos brasileiros, depreciando a arquitetura colonial em favor de prédios com estética duvidosa.

 

Xilocidade, o título da série de xilogravuras de André de Miranda já anuncia o interesse do artista em explorar sua poética visual pelo viés de uma preocupação social: a preservação e o zelo pela estética urbana. Com esta série, André de Miranda se inscreve entre os artistas gravadores brasileiros que pensam a paisagem urbana brasileira através da gravura. Distinto de gravadores que exploram o tema cidade, como por exemplo, Evandro Carlos Jardim, Thereza Miranda, Manoel Martins, Marco Buti, Hélio Vinci, Francisco Maringelli, Carlos Martins entre outros, André se apropria da paisagem urbana fazendo um registro poético enquanto vasculha sua memória de ruas e bairros onde viveu na infância, ou mais recentemente, por onde percorre e flagra a contínua depreciação do patrimônio urbanístico.

Mas a temática explorada por André nesta exposição é apenas um aspecto de sua obra gráfica, ou talvez, um pretexto para o artista reafirmar seu virtuosismo no uso das goivas e criar imagens que cativam o olhar do expectador, pelo uso e reinvenção da matriz no ato de imprimir.

A xilogravura exige do artista, especificidades e domínios técnicos únicos, como os de construir imagens com uso de altos contrastes entre áreas distintamente claras e escuras, sem uso dos meios tons, a não ser pela atenuação de texturas; ter raciocínio imediato nas decisões dos cortes; destreza da mão para controle da goiva no corte preciso sobre a matriz de madeira; saber ver por antecipação a imagem ao reverso antes de ser impressa; ser criativo no uso e domínio dos elementos de composição e capacidade de síntese visual. Com estes atributos André sabe conduzir a xilogravura como poderosa expressão artística no cenário da arte contemporânea. Somente um artista dedicado e criativo é capaz de lançar mão de um meio econômico expressivamente como é a xilogravura para tratá-la com a mesma densidade e eficácia expressiva que qualquer outra técnica. André de Miranda consegue tudo isto com a xilogravura e demonstra com sua Xilocidade ser um artista pesquisador.

Sebastião Pedrosa